29
Out 08

Um dos nossos blogues de poesia surrealista favoritos mudou o seu visual. Não deixem de passar pelo A única real tradição viva.

postado pelo Casa dos Poetas às 10:00
Canção:: Elvis Presley - Love me tender

28
Out 08

II

 

Lembrar-te-ás de mim Tatania

Quando o teu mapa deste país estiver dobrado,

Quando deixares de ver a torre baixa e as colinas,

A ponte gibosa, o riacho pelo vimial?

 

Paramos ao portão dos beijos,

O pequeno bosque desaparece na noite;

O vento viaja p’ra longe de Tatania

E tu tens de seguir.

Quando “Setembro” e “lembro” rimam

Rimá-las-ei para uma tradução de café?

 

As colinas aguardam como sempre o olhar acariciante,

Os passos ansiosos de glória ou o farol de aviso;

Sobre os campos sucessivos, recifes de barreira

Erguem-se a um legado de horizonte:

Lembrar-te-ás de mim Tatania

Enquanto me agarro a estes marcos e cicatrizes

Que desaparecem da tua mente?

 

Aqui estamos ao morre do dia,

As colinas esperam

Os campos são um verde mar.

E mais perto a luz falha

Muda e se extingue e os nossos olhos

Agarram a linha de ramo

Silhueta de folha...

 

Quando Lázaro haz no seu túmulo longo e folhas mortas

Tremem na sua dança que esquece,

Lembrar-te.ás de mim Tatania?

Virei como um fantasma perturbar alegria?

Tatania, Tatania, de que te lembrarás tu?

Aqui, com os teus lábios nos meus,

Que dizes que sou eu?

 

 

Matthew Mead é um poeta inglês, natural de Buckingamshire. Este é um excerto da sua obra identities (identidades), lançada em 1967. Aparece traduzido para português pela Antologia de poesia britânica contemporânea (livros horizonte, 1982) e tem tradução de Manuel de Seabra. Na casa dos poetas procuraremos dar mais destaque no futuro à poesia de língua inglesa.

 

postado pelo Casa dos Poetas às 14:00
Canção:: Frank Sinatra - My way
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

27
Out 08

 

 

O Sapo deu-nos hoje uma enorme distinção ao colocar-nos todo o dia na sua página  principal e na página dos blogs sapo. A Casa dos Poetas só tem que agradecer o destaque, ficando a promessa de continuarmos o trabalho de lavar boa poesia em língua portuguesa a todos os nossos leitores.

postado pelo Casa dos Poetas às 22:43
sinto-me: sapo
Canção:: GNR - Ananás

 

As intermitências da morte, romance de José Saramago, está a ser um sucesso lá fora. Prova disso é a crítica no prestigiado jornal The New Yorker. Em jeito de homenagem, deixamos um poema de José Saramago, faceta menos conhecida do Nobel português.

 

 

Intimidade

 

No coração da mina mais secreta,

No interior do fruto mais distante,

Na vibração da nota mais discreta,

No búzio mais convolto e ressoante,

 

Na camada mais densa da pintura,

Na veia que no corpo mais nos sonde,

Na palavra que diga mais brandura,

Na raiz que mais desce, mais esconde,

 

No silêncio mais fundo desta pausa,

Em que a vida se fez perenidade,

Procuro a tua mão, decifro a causa

De querer e não crer, final, intimidade.

 

José Saramago

postado pelo Casa dos Poetas às 13:00
Canção:: Travis - something anything
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: , ,

26
Out 08

Depois de ter lido duas críticas implacáveis - uma, acerca da entrevista do José Rodrigues dos Santos ao Diário de Notícias, e feita pelo crítico literário José Mário Silva, e outra sobre o novo romance da jornalista Patrícia Reis e que motivou um "a patrícia devia parar" por parte do crítico (José Teixeira Neves), nós na Casa dos Poetas prosseguimos com poesia de qualidade, apresentando alguns poetas menos conhecidos mas não menos valiosos, sobretudo para quem gosta de ser surpreendido por coisas novas. Encontrei por aí este Luís Brito Pedroso e decidi dar-lhe aqui algum destaque. Espero que gostem. 

 

 

Dentes de Sabre

 

Pego numa vara e desenho à minha volta

com a dimensão dos meus braços um círculo no solo.

Dentro apenas uma areia escura, muito fina,

um pó perdido e inerte,

que enegrece os meus pés.

Pedras soltas, poucas. Mais nada.

Olho o círculo, trezentos e sessenta graus de país

com o tamanho dos meus braços

e o poema é apenas uma memória.

Adormeço em pé durante meses, fixo nestes ossos.

Cabe alguém nesta ilha?

Choro a tua partida como um continente

que chora o soltar de uma porção de terra,

de uma nascente ilha em direcção ao horizonte,

e espero neste ponto móvel que dês a volta ao mundo.

Deixo cair a túnica, a única coisa que me cobria.

Levanta-se um sopro, uma nuvem sobre quem eu sou,

uma rouquidão crescendo aos poucos na minha voz.

O meu corpo cobre-se de algas.

A meio da noite escura solto um grito,

o sal secou sobre a minha pele, volto a vestir a túnica,

cubro a cabeça com o capuz,

pego na vara e continuo a desenhar coisas estranhas

nesta areia até o sol nascer

 

 

Luís Brito Pedroso

Nascido em Lisboa, em 1977, é autor dos livros de poesia Poema Seis (2005 - Papiro editora) e O meu nome e a noite (2007 - Papiro editora)

 

 

 

postado pelo Casa dos Poetas às 14:03
sinto-me:
Canção:: Tim e Mariza - Fado do Encontro
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

25
Out 08

Eu sou a Nação


Eu nasci no dia 4 de Julho de 1776 e a Declaração de

Independência é o meu certificado de nascimento.  

A descendência do mundo corre-me nas veias, porque eu

ofereci a liberdade aos oprimidos. Eu sou muitas coisas,

e muitas pessoas. Eu sou os Estados Unidos.

 

Eu sou 300 milhões de almas vivas – e o fantasma de milhões

que viveram e morreram por mim.

Eu sou o Nathan Hale e o Paul Revere. Eu estava em Lexington

e disparei o tiro que se ouviu em todo o mundo. Eu sou

o Washingtom, o Jefferson, e Patrick Henry. Eu sou

o John Paul Jones, os rapazes da Montanha Verde, e Davy Crockett.

Eu sou o Lee, o Grant e o Abe Lincoln.

 

Eu lembro-me do Alamo, do Maine, de Pearl Harbor. Quando a liberdade

me chamou, eu respondi e fiquei até que acabasse, ali. Eu deixei a minha

morte heróica no campo da Flandres, nas pedras do Corregidor, sobre

as encostas sombrias da Coreia e na selva de vapor do Vietname.

 

Eu sou a ponte de Brooklyn, o trigo das terras do Kansas, e as colinas

de granito de Vermont. Eu sou os campos de carvão da Virgínia

e da Pensilvânia, as terras férteis do Oeste, o Golden Gate

e o Grand Canyon. Eu sou o Salão da Independência, o Monitor e Merrimac.

 

Eu sou grande. Estendo-me do Atlântico ao Pacífico, três milhões

de milhas vibrando com a indústria. Eu sou mais de cinco milhões

de explorações agrícolas. Eu sou floresta, campo, montanhas e o deserto.

 

Eu sou aldeias sossegadas - e cidades que nunca dormem. Podes olhar

para mim e ver Ben Franklin descendo pelas ruas de Filadélfia

com o seu pão debaixo do braço. Podes ver a Betsy Ross e a sua

máquina de costura. Podes ver as luzes de Natal, e ouvir as melodias

de Auld Lang Syne assim que o calendário se move.

 

Eu sou o Babe Ruth e o World Series. Eu sou 160 000 escolas

e colégios,  e 250 000 igrejas onde o meu povo venera Deus

assim que pensam melhor. Eu sou um boletim de voto caído na urna,

o rugido de uma multidão num estádio, e a voz de um coro numa catedral.

Eu sou um editor de jornais, e uma carta a um congressista.

 

Eu sou o Eli Whitney e o Stephen Foster. Sou o Tom Edison, o Albert

Einstein, e o Billy Graham. Eu sou o Horace Greeley, o Will Rogers, e os  irmãos

Wright. Eu sou o George Washington Carver, o Daniel Webster

e o Jonas Salk.  Eu sou dos Longfellow, sou Harriet Beecher Stowe,

o Walt Whitman e o Thomas Paine.

 

Sim, eu sou a Nação, e estas são as coisas que eu sou. Eu fui concebido

em liberdade e, pela vontade de Deus, em liberdade passarei o resto

dos meus dias. Que eu possa sempre possuir a integridade, a coragem

e a força para me manter livre, para permanecer um forte de liberdade

e uma fonte de esperança para o mundo.

 

Eu sou os Estados Unidos.

 

 

 

OTTO WHITTAKER, com tradução de Tiago Nené. In “ Norfolk and Western Railway Company Magazine. Poema lançado em 1976, em comemoração do dia da independência, escrito originalmente em 1955 e em cujo manuscrito não constava a passagem "e na selva de vapor do Vietname", tendo sido inserida aquando do lançamento.

 

postado pelo Casa dos Poetas às 10:12
Canção:: Ol' Man River - Bono and Eddie Vedder
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

24
Out 08

Amadeu Baptista, com a obra de poesia Doze Cantos do Mundo, foi o vencedor o Prémio Literário Oliva Guerra– Sintra 2008, promovido pela Câmara Municipal de Sintra. O manuscrito do poeta de Viseu mereceu a unanimidade de um júri constituído por Liberto Cruz em representação da Associação Portuguesa de Críticos Literários, José Correia Tavares, representando a Associação Portuguesa de Escritores e Ricardo António Alves, nomeado pela Câmara Municipal de Sintra.

 

 

O poeta algarvio Fernando Cabrita, com a obra O Livro Da Casa, foi o vencedor do Prémio de Poesia Actor Mário Viegas.

 

 

 

postado pelo Casa dos Poetas às 19:38
Canção:: John Lennon - Woman
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa:

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