16
Out 08

“no fundo aceitamos que nada temos que se encontre fora de nós próprios”
José Maria Garcia López

 

 

atravessa-ma a música do Paris Texas
um holograma de superfície clara
da escrita branca no hybris grego
quando chego forte ao mar e
me passeio no barco negro para
ver a elegância dos cavaleiros
do Nilo os mamelucos

ao som do arrabil e da viola
comendo em louça de Arezzo
e a beber vinho de Falerno
em busca de saphira e dos
actos da fala, nas centelhas
de Deus um exegeta do Talmute
caído no ponto mais ínfimo
com a canção de Leonardo Cohen
“Take this halls” na parábola judaica
Onde está tudo iluminado no
Gelo marítimo da Árctico no
Teu colo quente.

 

 

José Gil

postado pelo Casa dos Poetas às 19:28
Canção:: U2 - Beautiful Day
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro
postado pelo Casa dos Poetas às 02:18
Canção:: Toranja - Casca
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.
Manuel Alegre
postado pelo Casa dos Poetas às 02:15
Canção:: U2 - love and peace or else
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

postado pelo Casa dos Poetas às 00:27
Canção:: Trovante - Perdidamente
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

14
Out 08

Abrimos os tijolos um a um,

esticamos os músculos no calo

as fezes nos carregamentos

 

Sabemos os ossos infectados

na chapa quente, o chão batido na terra

a destapar-nos, os tijolos nos ombros

o pó fino a enfeitar-nos

 

olhamos nos olhos uns dos outros

 

morremos com a pátria nos pulmões.

 

 

Alexandre Nave é um poeta de Lisboa nascido em 1969.  Em 2004 foi distinguido com o Prémio Primeira Obra, atribuído pelo P.E.N. Clube Português ao livro Columbários & Sangradouros (2003).  O mesmo livro, publicado pela Quasi Edições, havia ganho o 1.º Prémio Internacional de Poesia “León Felipe”.

postado pelo Casa dos Poetas às 12:23
Canção:: Xutos & Pontapés - Homem do Leme
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

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