08
Dez 08

Na Casa dos Poetas já havíamos mostrado antes dois poemas de Charles Bukowski. Apeteceu-nos dar sequência isso, desta feita com uma brilhante versão de Luís Beirão.

 

CERVEJA

 

não sei quantas garrafas de cerveja consumi

enquanto esperava

que as coisas melhorassem

não sei quanto vinho e quanto whisky

e cerveja

sobretudo cerveja

consumi

após pedaços de mulheres

- à espera que o telefone tocasse

à espera do som dos passos,

e que o telefone tocasse

à espera do som dos passos,

e o telefone nunca toca

a não ser quando é demasiado tarde

e os passos nunca chegam

a não ser quando é demasiado tarde

quando o meu estômago está a subir

a sair pela minha boca

eles chegam frescos como flores primaveris:

"mas que merda fizeste contigo?

demorarão 3 dias até que me possas

dar uma queca novamente!"

 

a fêmea é durável

vive sete anos e meio mais que o macho

e bebe muito pouca cerveja

porque sabe que faz mal à figura.

 

e enquanto nós estamos a enlouquecer

elas saíram

e andam lá fora a dançar e a rir

com cowboys entesados.

 

pois bem, há cerveja...!

sacos e sacos de garrafas vazias

e quando apanhas um do chão

a garrafa cai através do fundo molhado

do saco de papel

rolando

fazendo barulho

entornando cinza molhada

cerveja fresca,

ou o saco cai às 4 da manhã

produzindo o único som da tua vida.

 

cerveja...

rios e mares de cerveja...

a rádio a passar canções de amor...

enquanto o telefone permanece silencioso

e as paredes permanecem direitas

de cima abaixo

de cima abaixo...

 

e cerveja...

cerveja é tudo o que resta.

 

 

Charles Bukowski

(tradução de Luís Beirão)

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 21:00
Canção:: Patty Hearst - Stereo Total
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

19
Nov 08

O CORAÇÃO QUE RI

 

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.



Charles Bukowski
(Tradução de Tiago Nené)



OH SIM


há coisas piores do que
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.


Charles Bukowski

(tradução de Tiago Nené)

 


Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha em 1920. Aos três anos foi viver para os EUA, tendo residido 15 anos em Los Angeles.

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 18:40
Canção:: Pedro Abrunhosa - Quem me leva os meus fantasmas
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