25
Ago 09

 

GRITAR

Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e escreviam

Demasiado baixo

Fiz retroceder os limites do grito

A acção simplifica-se

Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhes destinava um lugar perante mim

Com um grito

Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que põem o bom tempo nos meus olhos

Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito
Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.


Paul Éluard, in "Algumas das palavras" dom quixote, 1977
trad. António Ramos Rosa e Luisa Neto Jorge

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 18:11
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

7 recitais:
Et je la vois
et je la perds
et je ressens ma douleur
comme un rayon de soleil
dans l'eau froide.

(Paul Éluard)
Victor L. a 3 de Novembro de 2009 às 23:33

Olá,
criei um grupo no Facebook para juntarmos e divulgarmos todos os poetas portugueses, chamei-lhe Clube dos Poetas Loucos, preciso de ajuda para a divulgação: http://www.facebook.com/group.php?gid=10150099732075121&ref=mf

Obrigada,
Sónia Costa Campos
Sónia Costa Campos a 19 de Fevereiro de 2010 às 02:07

A Nicotina Magazine e a Nicotina Editores estão a preparar o lançamento de um nova antologia de poesia contemporânea portuguesa, de nome «poetas sem medo». Os interessados podem consultar aqui o regulamento de inscrição, enviando por mail os seus poemas. As inscrições estão abertas durante os próximos meses. Esta iniciativa visa ajudar a Fundação Santo António Maria Claret, uma fundação com um papel fundamental no apoio à infância, 3.ª idade, e cidadãos portadores de deficiência.

http://nicotinamagazine.net/noticias.php?id=52
Nicotina Magazine a 23 de Fevereiro de 2010 às 18:00

http://mmeloup.wordpress.com/

A poesia não morreu para a nova geração.
Joao a 23 de Maio de 2010 às 23:54

Este texto bonito. escrever é uma terapia natural que nos ajuda não só para lançar luz sobre os problemas, mas também para superar
feromoni a 15 de Julho de 2010 às 09:20

Gostei! Pedro
Jogos Online a 2 de Dezembro de 2010 às 00:28

Silvia de Montarroyos publicou um livro de poesia: O vento nos meus cabelos.
Pode ser visitado em: http://www.facebook.com/pages/O-Vento-em-meus-cabelos/118300768195896?ref=ts
Jogos a 6 de Janeiro de 2011 às 14:10

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