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Mai 09

 

 

LISBOA

 

De Lisboa recordo os jardins

sonolentos, as ruas tortuosas

do bairro de Alfama e a luz

secreta das tardes junto ao cais

onde juntos bebemos os movimentos da água.

E recordo as noites sem penumbra,

o mar azul, a rota dos comboios

que perdemos naquele junho radiante

e luminoso.

Hoje escuto o seu eco

enquanto a névoa flutua nas colinas

e rangem de saudade os carris,

a hera, os postigos e os fundos

de água entre sereias desaparecidas.

Não sei se o recordo ou somento esqueço

o peso intransitável das sombras.

Pois ainda que o tempo arraste para o nada

a juventude, a felicidade, os tesouros,

ainda que não volte jamais o paraíso,

será sempre primavera em Lisboa:

é que não vejo na memória nem nos seus mapas

esse ónus obscuro do regresso.

 

Sara Gutiérrez Caballero

Tradução de Tiago Nené

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 00:03
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3 recitais:
Adoro a Sara
AnaA a 6 de Junho de 2009 às 10:02

que coisa boa esse espaço. aqui lendo essa bela
tradução de Sara Gutiérrez, pensei: uma espanhola escreveu,
um português traduziu, porque não um brasileiro comentar...? rs

Abraço aos dois daqui da bacia amazônica e parabéns!

daufen bach.

daufen bach. a 1 de Agosto de 2009 às 01:16

Hola, soy Sara Gutiérrez, la autora de este poema, y quería decir que estoy emocionada de ver mi poema "Lisboa" traducido al portugués. Muchísmas gracias por hacerlo. Un saludo muy cordial.
Pessoa não identificada a 26 de Junho de 2009 às 16:14

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