ODE AO VINIL
Uma agulha suja
por muitos acordes
suicidas enche-me
de catástrofes
entre o sentido
e a dissimulação
do seu destino
Lá fora dançam impessoais
as personagens-fantasma
da poética mutilação
do eterno retorno
que lá dentro dança
fora de si
Espero-me em silêncio
tal anjo perdido
poeticamente distorcido
pela palavra
Espero-te ao espelho quebrado
sem nada para te dar
entre gemidos agudos e graves
na camisa de sete forças
da palavra
A. Dasilva O

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