Abruptamente, o odor de flores, agudo, vago, delicado,
O velho coração batendo suavemente, olhos
Frescos como uma maçã, todas as rugas idas.
Quem teria imaginado? Não ela, não ele.
Algo passou pelo quarto e não ficou.
‘Viste-lhe o rosto?’ disse ela. Ele disse,
‘Que dizia?’ ‘«Ido»’,
Respondeu ela, ‘Ou foi isso o que pensei que disse’.
Ele respondeu, ‘Não. «Vem,» estou certo de que foi «vem».
Chamou,’ disse ele, ‘Devíamos segui-lo. Não voltará.’
‘Espinheiro no Outono,’ disse ela, ‘Não me faças rir.
«Ido» foi a palavra, e partiu. Não sejas louco.’
‘Espinheiro,’ disse ele, ‘Primavera, o odor tardio de Primavera.
Tudo abre, tal como era.
Não vens comigo?’ disse ele. ‘Ainda temos
Uma oportunidade. Escuta. Cheira,’ disse ele,
‘Fomos adiados.’ Lentamente, preguiçosamente,
Ela abanou a cabeça pesada e virou-se.
‘Não espero,’ disse, ‘Não penses que o farei.’
O cabelo escuro à volta do rosto, os olhos ocultos.
‘Nunca,’ disse ela, ‘Já esperei demais.’
Ele respondeu, ‘Escuta. Está a chamar. É a nossa última oportunidade.’
Como comida, como chuva, como névoa. Boca aberta, coração aberto.
‘Tudo floresce,’ disse ele, ‘Como quando éramos novos.’
‘Quando éramos novos?’ perguntou ela, ‘Não me lembro.’
Uma centelha de oiro, um sorriso, uma voz vaga chamando
Confusamente ‘Vem,’ ‘Ido,’ ‘Vem’. Os odores mesclados
De Primavera na noite de Outono. ‘A nossa última oportunidade,’ disse ele.
E ela respondeu, ‘Aproveita-a sem mim.’
A. Alvarez
Poema com tradução de Manuel de Seabra.

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