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Mar 09

 

 

Em Busca

 

Ponho os olhos em mim, como se olhasse um estranho,

E choro de me ver tão outro, tão mudado…

Sem desvendar a causa, o íntimo cuidado

Que sofro do meu mal — o mal de que provenho.

 

Já não sou aquele Eu do tempo que é passado,

Pastor das ilusões perdi o meu rebanho,

Não sei do meu amor, saúde não na tenho,

E a vida sem saúde é um sofrer dobrado.

 

A minh’alma rasgou-ma o trágico Desgosto

Nas silvas do abandono, à hora do sol-posto,

Quando o azul começa a diluir-se em astros…

 

E à beira do caminho, até lá muito longe,

Como um mendigo só, como um sombrio monge,

Anda o meu coração em busca dos seus rastros…

 

José Duro

in Antologia de Poetas Alentejanos

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 19:42
Canção:: Andreas Johnson - People
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

recital:
Belíssimo!
Inês Antunes a 21 de Março de 2009 às 18:36

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