09
Mar 09

Elegiazinha

 

Gatos não morrem de verdade:

eles apenas se reintegram

no ronronar da eternidade.

 

Gatos jamais morrem de fato:

suas almas saem de fininho

atrás de alguma alma de rato.

 

Gatos não morrem: sua fictícia

morte não passa de uma forma

mais refinada de preguiça.

 

Gatos não morrem: rumo a um nível

mais alto é que eles, galho a galho,

sobem numa árvore invisível.

 

Gatos não morrem: mais preciso

— se somem — é dizer que foram

rasgar sofás no paraíso

 

e dormirão lá, depois do ônus

de sete bem vividas vidas,

seus sete merecidos sonos.

 

 

Nelson Ascher é um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 08:34
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