05
Mar 09

Antologia

 

Uma antologia é uma conclusão,

Mas ela apresentou-se assim, no meio daquelas pessoas.

Detalhou o seu melhor

Nas melhores palavras que executavam o meu silêncio.

 

Eu apresentei-me como poema do dia, como sempre fiz.

Apresentei-me como o último retrato do sol

Ou a última nuvem do romance que li.

 

Para minha surpresa, um dia mais tarde,

Ao ler-lhe a novíssima edição da antologia,

Apareci eu, vestido deste poema.

 

Tiago Nené

(1982)

 

 

O Amor é um Claro Mês

 

Os dias de chuva deixaram a memória aberta aos ventos. Lembro-me de ti e lembro-me de ontem. Vi-te. Sorrimo-nos. Era um silencioso e branco navio esse sorriso. Havia luz.

Amo-te, quero dizer-te. Amo-te como se nada mais existisse para lá de ti e de mim e da chuva breve. Tudo é simples. O amor é um claro mês. Mas as palavras são nada.

No silêncio poderia voar um pássaro que eu não soubesse nomear. Poderia haver um lugar desconhecido de todas as geografias. Poderia existir tão apenas uma ausência que deixa saudade e melancolia. Já viste a lua?

 

Fernando Cabrita

(1954)

 

 

in Os Dias do Amor

Ministério dos Livros

2009

gentileza de Inês Ramos

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 08:01
Canção:: Queen - Too much love will kill you
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