27
Jan 09

O SOL

 

Sinto como imagino que o sol se sente,

o sol buscando os seus atalhos

no interior das horas naturais, nos equilíbrios sem eixo,

sobre as sequências de imagens, errando nas biografias

sem molduras, sobre as silhuetas dos carros,

sem a fadiga de um pequeno abraço ou a mudez

premeditada de um delírio convalescente,

o sol explorando o infinito da superfície vagarosa,

contornando a água de uma lágrima, impalpável

e deslumbrante, silenciosamente no caminho dos versos.

O sol que na aurora apunhala a noite,

O sol que não permite que os céus se colem,

O sol que movimenta as transparências dos homens e mulheres,

O sol que apaga a nitidez dos detalhes inúteis,

O sol que dá corda aos pássaros e aos ruídos,

O sol poético, o sol insone, o sol-ignição-de-todas-as-cores,

O sol eterno, o sol-víbora, o sol que te estranha,

O sol que te ama,

O sol, o sol, o sol...

 

Tiago Nené

in Instalação

 

(pré-publicação, a sair em 2009)

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 11:30
Canção:: U2 - Winter
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