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Dez 08

Alquimia do Verbo

 

A mim. A história de mais uma das minhas loucuras.

De há muito que me gabo de

possuir todas as paisagens possíveis e que acho ridículas

as celebridades da pintura e da poesia moderna.

 

Amei pinturas idiotas, vãos de portas, bugigangas,

panos de saltimbancos, estandartes, estampas baratas,

literatura fora de moda, latim eclesiástico,

livros eróticos sem caligrafia, romances antigos,

contos de fadas, contos para crianças, velhas óperas,

refrões ingénuos, ritmos simplicíssimos.

 

Sonhei com cruzadas,

com viagens de descobrimento das quais não existiam relatos,

repúblicas sem histórias, guerras de religião sufocadas,

revoluções de costumes, movimentos de raças e de continentes:

acreditei pois em todas as magias.

 

Inventei a cor das vogais! - A negro, E branco,

I vermelho, O azul, U verde

Determinei a forma e o movimento de cada consoante,

e, com ritmos instintivos,

procurei inventar um verbo poético acessível, custe o que custar,

a todos os sentidos. Guardei a tradução.

 

Era acima de tudo um esboço. Escrevi os silêncios,

as noites. Anotei o indizível. Firmei vertigens

 

Arthur Rimbaud foi um poeta francês natural de Charleville

(tradução de Rui Bebiano)

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 19:30
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