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Dez 08

Poema

 

Era um pássaro alto como um mapa

e que devorava o azul

como nós devoramos o nosso amor.

 

Era a sombra de uma mão sozinha

num espaço impossivelmente vasto

perdido na sua própria extensão.

 

Era a chegada de uma muito longa viagem

diante de uma porta de sal

dentro de um pequeno diamante.

 

Era um arranha-céus

regressado do fundo do mar.

 

Era um mar em forma de serpente

dentro da sombra de um lírio.

 

Era a areia e o vento

como escravos

atados por dentro ao azul do luar.

 

 

Artur Cruzeiro Seixas é um dos poetas do chamado Movimento surrealista do século XX.

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 11:30
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