06
Dez 08

FESTA DO SILÊNCIO

 

Escuto na palavra a festa do silêncio.

Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.

As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.

Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.

É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

 

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,

o ar prolonga. A brancura é o caminho.

Surpresa e não surpresa: a simples respiração.

Relações, variações, nada mais. Nada se cria.

e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

 

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.

É aqui a abóbada transparente, o vento principia.

No centro do dia há uma fonte de água clara.

Se digo árvore a árvore em mim respira.

Vivo na delícia nua da inocência aberta.

 

António Ramos Rosa,

in "Volante Verde"

 

 

Se gostou deste post, considere subscrever o nosso feed completo.

Ou entao subscreva a Casa dos Poetas por Email!

postado pelo Casa dos Poetas às 11:30
Canção:: AC/DC - You shook my all night long
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: , ,

PARCEIROS
pesquisar neste blog
 
Membros no activo
Ana Luísa Silva / Joana Simões / Ana Coreto / José Eduardo Antunes / Tiago Nené
arquivos
links
blogs SAPO