02
Dez 08

Luís Serguilha nasceu em Vila Nova de Famalicão em 1966. Poeta e ensaísta, é também autor de diversos textos criativos sobre literatura contemporânea brasileira. Coordena uma academia de actividades físicas e de danças urbanas. Colaborou durante vários anos nas Jornadas de Arqueologia - Investigação da Cultura Castreja e foi um dos pioneiros das "Bibliotecas de Jardim". Obteve o prémio de literatura Poeta Júlio Brandão. Publicou, entre outros livros de poesia, O Périplo do Cacho, O Outro, Embarcações, O Externo Tatuado da Visão, Lorosa’e Boca de Sândalo, O Murmúrio Livre do Pássaro, A Singradura do Capinador e Hangares do Vendaval. Publicou ainda o livro de de narrativa Entre Nós.

 

HANGAR 7

 

                                             A águia da cicatriz funda o redemoinho da fronteira para aventurar-se nos quarteirões-bombeiros da púbis guerreira

                                 e os selos dos fluxos hospitalares estendem as odontíases dos historiadores de elefantes nas escadas lapidadas

                                               das vinhas mais próximas dos reclames oviformes das docas industriais

                      onde os mortalhas de cobalto-baptismal restauram a culinária dos estúdios mímicos

                                     sobre as ultimas transferências das incrustações solares 

As nadadoras de calendários-fósseis maceram os sombreados dos parapeitos 

                                       onde a secretária delinquente do silêncio emaranha-se

                          numa constelação de olhos-diamantes

                                                          prestes a crescer na pausa do hotel-látego

                      que singelamente tropeça no utensílio da astronómica masseira

                                                                                    dos autocarros pintalgados pelas virilhas dos helicópteros universais 

 

Todos juram que viram um longo piano de chuva asilada

      na diligência espiralada dos cirurgiões de trópicos  e os pássaros cientes dos turistas de estaleiros fornicadores

                                                                    ornamentam os catálogos narcóticos

         com as guloseimas das serpentes entremeadas de louças-trompas-radioactivas

                  onde os abdomens-acervos das radiofonias

                                constroem gaiolas espadaúdas com as lâmpadas ensanguentadas

                         pelas tarifas ocasionais das trepadeiras

Todos examinaram as frinchas dos telefones de chocolate

                 para consagrarem a solidão das carruagens nos volumes dos superintendentes naufragados

                                           sobre o palanque lacrado no pedigree da arteriosclerose

Depois derramaram claramente

                                                  o peitilho das ferramentas telegráficas

                      nos andamentos da geologia inominada onde as falangetas da exausta porta reinventam as máquinas convulsas

                        das estrelas sobre o abismo mandibular das borboletas-conexões

 

A clavícula-violino do vendaval ressurge embalsamada na gula compassiva dos gestos-URANÓLITOS como as varandas PRECIPITADAS dos peixes a ocultarem o vocabulário das cordilheiras na dilatação dinâmica das salas agrícolas

                     Um tubo assustadoramente vegetal incandesce as homenagens das caligrafias cabalísticas enroscadas no vapor das calosidades dos bois

e o mergulhador de camisas de electricidade regressa hidrópico de molas da claridade

         porque as gemas das feras pincelam  lunarmente

                  os gladíolos das colmeias (DAS CURTAS

                  METRAGENS-CARROSSEL LANCELOLADO ENTRE A DESFLORAÇÃO DO MAPA-MUNDI)

 

As munições progenitoras dos vestíbulos da menstruação RUTILAM

                       as lavadeiras dos damascos pulmonares     

                 (alfarrobeira pluriaberta nos translúcidos talentos dos holofotes maternais) 

As descrições das auto-entrevistas dos seios cavalgam milimetricamente

                          ao absorverem as picadas aguacentas dos animais

                    defendidos

          pelo desenho disfarçado dos pulsos esvoaçantes

 

(AS ROCAS dos insectos peregrinos se desmoronam silenciosamente

            entre os pavios das fístulas dos computadores)

 

A pontaria solitária dos excrementos das luzes retalha os mecanismos

                              das leitosas paredes historiando a nomeação da emergência dos torvelinhos

                         Parecem os compassos das pálpebras a resplandecerem

                      no café dos pequeníssimos abismos onde os silenciadores das pulsações emigram diversamente

                                                 entre os ziguezagues das lâmpadas das sombras

                         como a evaporação da insonolência dos vendedores a sorver as sardas transparentes das braçadeiras-glosadoras dos uivos

A erupção dos dormitórios-húmus pressente os brincos dos epiciclos

                       que dependem dos ovários crescentes das lágrimas aeroportuárias

 

(UMA cova de manta QUADRICULADA

           a inclinar-se nas térmitas das catanas mutiladas

               pela sinalização do sémen dos itinerários sonambúlicos

como se o marulhar da ancianidade dos tambores fosse o manancial inesgotável dos cães PISTEIROS

como se o silvo das costureiras das fanfarras esqueléticas esquadrinhassem    as braçadas do relâmpago(AÇUCAR-PROFUSÃO) deserdado ocasionalmente na bebedeira das serpentes

como se os lábios dos peixes das sílabas acumulassem as garras

                         dos pirilampos nucleares nas navalhas desarrumadas dos neurónios-celeiros 

como se as poeiras altivas dos lubrificadores de fendas estilísticas interrogassem os acordeões das rosas-teatro concentradas

                       nas auto-estradas hipnóticas dos rostos)

 

 

Se gostou deste post, considere subscrever o nosso feed completo.

Ou entao subscreva a Casa dos Poetas por Email!

postado pelo Casa dos Poetas às 09:30
Canção:: Yes We Can - Barack Obama Song
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

PARCEIROS
pesquisar neste blog
 
Membros no activo
Ana Luísa Silva / Joana Simões / Ana Coreto / José Eduardo Antunes / Tiago Nené
arquivos
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

links
blogs SAPO