26
Nov 08

Espaço para os jovens poetas sem obra editada mas de muita qualidade. Onde andam as editoras deste país?

 

 

O homem está

Contra o homem

Numa luta contínua. Ferram-se mutuamente

Onde lhes dói mais: no ego animal

E é injusto assistir a esta peleja invisível

De um miradouro situado a fossos intransponíveis

Quando eles, homens, não me conseguem ver

Choro enquanto assobio rezas inúteis

 

 

O que vai ser do homem quando o homem o matar?

Cansado de batalhar ao espelho, senta-se numa pedra

E vejo-o ler a chuva que lhe cai na alma

Ambas tingidas de preto morte

Vermelho sangue que o seu igual derramou

No nosso colchão comum. Esperam-lhe o peso na consciência

Que deviam ter tido quando lhes segredei ao ouvido enlameado:

«Olha que aquilo que atiras ao teu semelhante não é mais do que a tua existência

[em forma de bomba]

 

Caio ao caíres na vala que juntos escavaram. Era o aviso e não sou

Mais do que vocês que por aqui já não estão. Cansei-me da vida quando

A vida me deixou à espera. Cansei-me de ti quando não estavas. Cansei-me

De existir enquanto nos matavam estrelas a caírem no quintal. Cansei-me apenas. E de que vale escrever as letras quando quem ia falar a lê-la já cá não está? Cansei-me.

 

 

Pedro S. Martins, um jovem poeta

(inédito)

postado pelo Casa dos Poetas às 16:30
Canção:: Leve beijo triste - Paulo Gonzo
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

recital:
" Choro enquanto assobio rezas inúteis" ....adorei isso...fantástico.

beijocas!
Eulália a 26 de Novembro de 2008 às 18:34

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