25
Nov 08

Elio Pecora, nascido em Sant'Arsenio, Salerno, em 1936 é um poeta, romancista, ensaísta e dramaturgo italiano. Viveu em Nápoles até à adolescência e aos trinta anos parte para Roma  onde vive até hoje. A sua obra poética inclui os títulos La chiave di vetro. Bolonia: Cappelli, 1970, Motivetto. Roma: Spada 1978, L'occhio mai sazio. Roma: Studio S., 1985, Interludio. Roma: Empiria, 1987 y 1990, Dediche e bagatelle: Roma, Rossi & Spera, 1990, Poesie 1975-1995. Roma: Empiria 1997 y 1998, Per altre misure. Génova: S. Marco dei Giustiniani, 2001.

Em Portugal foi agora publicado Poemas Escolhidos, uma antologia de Elio Pecora com tradução de Simonetta Neto e introdução de Maria Bochicchio. Foi de lá que retirámos estes dois poemas:

 

CONFIDÊNCIA

 

Espera-me no espelho

como num velho conto de desconfiada loucura,

raramente me olha

porém, conheço bem o desprezo que alterna com o medo,

estamos juntos ab initio

decerto estaremos até ao extremo encerramento

quando voltarmos a partir

rumo àquele nada que a nós, como a todos, toca.

De vez em quando o esqueço

e, ao andar, torna-se leve e contente o percurso,

mas cedo o ignorado

volta a contar os passos, a tirar o fôlego;

vi-o, apetrechava-se

de esperanças algo dúbias, de prémios baratos,

quando bastava

ministrar-se as ânsias e os desejos nunca calados.

Da vez em que tentei deixar o quarto do seu triste segredo

entreabriu a porta

e mostrou-me, num ápice, apenas areia e cinza.

 

 

 

Atravessar a dor

como um quarto escuro

contando os passos, os fôlegos.

Procurar no fechado

um buraco, uma fenda,

para que não seja memória

mas presença

naquela ausência a luz.

 

À saída saber

que é preciso voltar.

E a alegria ainda

à espera do assalto.

 

 

Elio Pecora

in Poemas Escolhidos, tradução de Simonetta Neto, Quasi, 2008

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 13:00
Canção:: U2 - Vertigo
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

2 recitais:
gostei muito destes poemas, especialmente do segundo. mas...de alguma maneira eles se completam, talvez na mesma forma humana que os escreveu.

abraços,

camila.
camila a 25 de Novembro de 2008 às 17:05

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coquetteintelectual a 25 de Novembro de 2008 às 23:11

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