02
Nov 08

ANEL

 

Dá-me um anel; mas que seja

Como o anel em que cingida

Tem gemido toda a minha vida.

Dá-me um anel; mas de ferro,

Negro, bem negro, da cor

Desta minha acerba dor,

Deste meu negro desterro!

 

Dá-me um anel; mas de ferro...

Sempre comigo hei-de tê-lo;

Há-de ser o negro elo,

Que me prenda à sepultura.

Quero-o negro...seja o estigma,

que decifre o escuro enigma,

Duma grande desventura.

 

Dá-me um anel; mas de ferro,

Que resista mais que os ossos

Dum cadáver aos destroços

Do roaz verme do pó.

Entre as cinzas alvacentas,

como espólio das tormentas

Apareça o ferro só.

 

E o teu nome impresso nele,

Falará dum grande amor,

Nutrido em ânsias de dor,

Pelo fel da sociedade...

Que teu nome nele escrito,

Nesse padrão infinito,

Vá comigo à Eternidade.

 

 

In “366 Poemas Que Falam de Amor”

 

Camilo Castelo Branco, nascido em Lisboa em 1825, foi um romancista português, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Na Casa dos Poetas resolvemos ir buscar um pouco da sua poesia, meio esquecida pelo leitor comum.

postado pelo Casa dos Poetas às 19:55
Canção:: Sodade - Cesária Évora com Mariza
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

recital:
Muito lindo, me emocionei!
Pessoa não identificada a 13 de Março de 2013 às 17:41

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