17
Nov 08

Gostei da introdução a A Alma Não é Pequena, 100 poemas portugueses para SMS (publicado pelas Edições Centro Atântico, em 2002) e achei que faria sentido publicar aqui. Fala da poesia em si, mas essencialmente da dificuldade de compilar.

 

 

A poesia cabe em todos os diálogos, é comunicação primeira, privilegiada, pertence ao universo das coisas que criamos por definição. Não queremos imaginar um lugar fechado para ela, não existe um compartimento limitado de onde a onde a poesia vai, queremos, janelas abertas, sabê-la infiltrada no ar contagiando pertinentemente tudo o que somos e fazemos.

 

 

Recolher 100 textos da poética portuguesa, no período dos séculos XIX, XX e já XXI, é sempre matéria subjectiva, pelo que importa, desde logo, estreitar critérios que passarão, sem dúvida, pelo gosto pessoal dos organizadores mas que deverão revelar um exercício dentro de algumas tabelas. Tivemos como base os intentos da obra a concluir: a selecção de trechos que funcionem como máximas que possamos usar num SMS; a partir desta premissa de base o que procurámos fazer foi reflectir de forma correcta o panorama poético alvo incluindo os seus autores-chave. De Garrett a Cesário Verde, Pessanha a Pessoa, Régio a Sena, Ruy Belo a Melo e Castro, etc., os nomes incluídos neste percurso são o percurso, sem eles a literatura portuguesa seria radicalmente diferente o que faria de todos nós outros. Pensar esta poesia é pensar o nosso país e o mundo, é pensar um modo de pensar e fazer.

 

A poesia não se estreita, pelo que caber num SMS não significa que seja menor, de facto a poesia evade-se para além das palavras como um intenso odor que se alastra a partir da mais pequena gota de essência: a alma não é pequena, e 160 caracteres não limitam, antes propõem.

 

Se do século XIX retemos o lirismo denso e sofrido do romantismo, bem como a metaforização e reelaboração expressiva do simbolismo, do século XX buscamos a elasticidade da nossa modernidade, com Pessoa a desdobrar-se em vários, Régio imperativo no seu paradoxo de ser filho de Deus e do Diabo, Saúl Dias, Sophia, Eugénio de Andrade ou Albano Martins fazendo da escrita algo de translúcido, breve, como pequenas verdades ou essência, e vamos até aos inovadores de 50 / 60, Ramos Rosa, Gastão Cruz, Luiza Neto Jorge, Fiama, Ruy Belo, entre outros, e só paramos nos dias de hoje, com as vozes de Pedro Sena-Lino ou José Luís Peixoto, depois de passar pela beleza de Maria do Rosário Pedreira ou Jorge Melícias.

 

A panorâmica criada por esta antologia pretende prestar-se a ser um modo dinâmico e lúdico de contactar e conhecer a poesia portuguesa. O jogo proposto com este trabalho é acompanhado de referências bibliográficas completas sugerindo ao leitor interessado uma procura para além deste livro. Dispusemos os textos segundo a ordem estabelecida pela data de nascimento dos autores, garantindo uma leitura coerente com a temporalidade das obras e, com isso, das correntes ou épocas literárias.

 

Mais do que isto só o tamanho do que vai escrito em cada poema, em cada trecho proposto, uma desmesura que não cabe em lado nenhum, ou que talvez caiba apenas na alma: coisa sem fim.

 

 

valter hugo mãe e Jorge Reis-Sá

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 19:41
Canção:: Beirute - Nantes
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

recital:
"Soube" de um projecto muito Identico esse quefoi roubado - Faço a Lista!:

- --- n digo o nome a pesoa já morreu!
-Agência Bates 1999/2000/2001/2
-Apel Ano 2000;
- Nicola Cafés 2003- até hoje
- Delta Cafés 2004- até hoje
- Millennium bcp - 2005
- Culturprojec atavés d IPLB - 2004.
É triste não
é?
Boa Sorte!

Espero que a Culturproject Y o Maurício/ Bernardo Vilhena n estejam envolvidos.
MUITO AZAR! a 18 de Novembro de 2008 às 00:25

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