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Nov 08

O AMOR

 

O amor é um rastilho aceso por dentro dos ferros

De púrpura dos meses

O amor é um pano inconsútil pendurado nos arames dos pátios

O amor é uma lenta transmudação da água nos incêndios

O amor é uma âncora dividia entre o peso do lodo e

A leveza insustentável das alavancas hidráulicas

O amor percorre os labirintos de creta sem nenhum fio pretérito

O amor quima por dentro dos pulmões quando

Se respira junto às falésias de calcário

O amor é uma pedra e outra pedra escondida

Nas gaivas oscilatórias dos sismos

O amor é um vórtice onde se misturam palavras e buracos negros

O amor é uma árvore com as raízes atadas à nuvem das lágrimas

O amor é uma onda que precede o desmoronamento das

Cabeceiras declivosas das penínsulas

O amor é uma molécula da água a transformar-se em éter

O amor é a fórmula de heisenberg

O amor é um mapa em que o momento e a posição não coincidem

O amor é a pele incandescente

O amor é uma Puta

O amor é um arco que dispara em círculo

Contra o desprotegido coração.

 

 

 

José Carlos Barros é um poeta nascido em 1963 em Boticas.e é dos nossos poetas favoritos. É licenciado em arquitectura paisagista pela Universidade de Évora. Vive e trabalha em Vila Real de Santo António, no Algarve. Tem alguns livros publicados e aquele de onde retirámos este poema intitula-se Las Moradas Inútiles (As Moradas Inúteis) e foi lançado em Espanha, em edição bilingue com tradução do poeta Manuel Moya (ed: punta umbría) e integra a colecção Palavra Ibérica.

 

 

 

 

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postado pelo Casa dos Poetas às 17:40
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