10
Nov 08

Dêem-me as tábuas,

essas tábuas de madeira firme

com que se constroem os barcos.

 

Dêem-me as tábuas rijas do tempo,

as tábuas livres e cantantes de madeira

com que se erguem os muros fortes

das cidades inexpugnáveis.

Deixem-me juntá-las às folhagens

do despojamento da sua condição de árvores.

 

Com elas, prometo,

irei vigorosamente alicerçar,

no entrelaçar das tempestades

que se lêem nos intervalos das nuvens invernais,

as jangadas calmas

que respondem nas manhãs de nevoeiro

pelo simples nome de casas.

 

Depois, se verdadeiramente me apetecer,

decoro-as com dois pares de asas

e deixo-as voar.

 

A promessa permanece no poema.

Deixemos as casas, na sua condição de jangadas,

cumprir com a sua missão de navegar.

 

 

 

José António Gonçalves

in Memórias da Casa de Pedra"

Colecção "Terra à Vista", nº. 1, nota

de contra-capa de Albano Martins,

Edição Arguim-Madeira, 2002)

postado pelo Casa dos Poetas às 14:00
sinto-me:
Canção:: The Wannadies - You and Me Song
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: ,

recital:
"Depois, se verdadeiramente me apetecer,deixo voar"

fantástico...adorei isso.

obrigada pela visita!!!

vou linkar vc lá, gostei do teu espaço.

bjos!

Eulália a 10 de Novembro de 2008 às 15:23

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