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Nov 08

 

Pai: quando falava no futuro

A que se referia – ao meu tempo?

Nunca, na ascensão em espiral

De qualquer culto,

Dominámos um frouxo de tosse.

Abro o livro (o seu era L’espoir):

Se o malogro das personagens não é certo,

Por certo o é o do autor.

Bem sucedido, morrerá: fim.

É isso nennhum estilo o redime.

Sorrio congeminando

Que o seu tinha uma encadernação durável.

Os meus filhos sorrirão doutra coisa.

Eis como o sorriso propaga.

 

 

poema que integra a antologia o futuro em anos-luz  (100 anos - 100 poetas - 100 poemas), com organização e selecção de valter hugo mãe.  (edições quasi)

 

 

Sebastião Alba, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves(1940 - 2000), poeta português nascido em Braga e naturalizado moçambicano. Viveu grande parte da sua vida em Moçambique, tendo regressado a Portugal em 1984, depois de mais de trinta anos em África. Faleceu com sessenta anos vítima de atropelo na estrada. Pouco depois é encontrado um bilhete dirigido ao irmão:

 

 

«Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá»

postado pelo Casa dos Poetas às 12:45
Canção:: clã - Tira a teima
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