25
Out 08

Eu sou a Nação


Eu nasci no dia 4 de Julho de 1776 e a Declaração de

Independência é o meu certificado de nascimento.  

A descendência do mundo corre-me nas veias, porque eu

ofereci a liberdade aos oprimidos. Eu sou muitas coisas,

e muitas pessoas. Eu sou os Estados Unidos.

 

Eu sou 300 milhões de almas vivas – e o fantasma de milhões

que viveram e morreram por mim.

Eu sou o Nathan Hale e o Paul Revere. Eu estava em Lexington

e disparei o tiro que se ouviu em todo o mundo. Eu sou

o Washingtom, o Jefferson, e Patrick Henry. Eu sou

o John Paul Jones, os rapazes da Montanha Verde, e Davy Crockett.

Eu sou o Lee, o Grant e o Abe Lincoln.

 

Eu lembro-me do Alamo, do Maine, de Pearl Harbor. Quando a liberdade

me chamou, eu respondi e fiquei até que acabasse, ali. Eu deixei a minha

morte heróica no campo da Flandres, nas pedras do Corregidor, sobre

as encostas sombrias da Coreia e na selva de vapor do Vietname.

 

Eu sou a ponte de Brooklyn, o trigo das terras do Kansas, e as colinas

de granito de Vermont. Eu sou os campos de carvão da Virgínia

e da Pensilvânia, as terras férteis do Oeste, o Golden Gate

e o Grand Canyon. Eu sou o Salão da Independência, o Monitor e Merrimac.

 

Eu sou grande. Estendo-me do Atlântico ao Pacífico, três milhões

de milhas vibrando com a indústria. Eu sou mais de cinco milhões

de explorações agrícolas. Eu sou floresta, campo, montanhas e o deserto.

 

Eu sou aldeias sossegadas - e cidades que nunca dormem. Podes olhar

para mim e ver Ben Franklin descendo pelas ruas de Filadélfia

com o seu pão debaixo do braço. Podes ver a Betsy Ross e a sua

máquina de costura. Podes ver as luzes de Natal, e ouvir as melodias

de Auld Lang Syne assim que o calendário se move.

 

Eu sou o Babe Ruth e o World Series. Eu sou 160 000 escolas

e colégios,  e 250 000 igrejas onde o meu povo venera Deus

assim que pensam melhor. Eu sou um boletim de voto caído na urna,

o rugido de uma multidão num estádio, e a voz de um coro numa catedral.

Eu sou um editor de jornais, e uma carta a um congressista.

 

Eu sou o Eli Whitney e o Stephen Foster. Sou o Tom Edison, o Albert

Einstein, e o Billy Graham. Eu sou o Horace Greeley, o Will Rogers, e os  irmãos

Wright. Eu sou o George Washington Carver, o Daniel Webster

e o Jonas Salk.  Eu sou dos Longfellow, sou Harriet Beecher Stowe,

o Walt Whitman e o Thomas Paine.

 

Sim, eu sou a Nação, e estas são as coisas que eu sou. Eu fui concebido

em liberdade e, pela vontade de Deus, em liberdade passarei o resto

dos meus dias. Que eu possa sempre possuir a integridade, a coragem

e a força para me manter livre, para permanecer um forte de liberdade

e uma fonte de esperança para o mundo.

 

Eu sou os Estados Unidos.

 

 

 

OTTO WHITTAKER, com tradução de Tiago Nené. In “ Norfolk and Western Railway Company Magazine. Poema lançado em 1976, em comemoração do dia da independência, escrito originalmente em 1955 e em cujo manuscrito não constava a passagem "e na selva de vapor do Vietname", tendo sido inserida aquando do lançamento.

 

postado pelo Casa dos Poetas às 10:12
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