22
Out 08

Ámen

 

Em círculo,

Estão os círios e as candeias,

Nas aldeias de novembro elas também estão

Em círculo,

As mães que fecham a escuridão.

Às vezes a neve cai sobre as palavras que

Os anjos aprenderam no bosque nocturno e

Então abre-se como um livro a casa de luzes

Vermelhas,

Acendendo, num porto antigo, os olhos

Profundos do abismo e da desolação.

Rezamos em silêncio e os sinos dobram e

Na curva da colina

Já se avista o cortejo da música.

Não podemos entrar.

Não há lugar aqui para as rosas do pai,

Inúteis, magoadas pelo furor das nossas mãos.

A mortalha arrefece.

Arrefecem longamente as estrelas que um

Dia vi sobre os jardins. Sem regresso

Estão os cisnes parados, quando a neve cai.

 

 

in Agora e na Hora da Nossa Morte (assítio & alvim, 2000)

 

 

Fim

 

faz-se tarde

e eu deixei de esperar-te.

 

todos os portos se fecham sobre mim

e a floresta adensa-se -

 

nenhuma clareira se abre à passagem dos

animais e do homem antigo.

 

são 4 horas na manhã de todos os relógios.

 

 

in Deste Lado Onde (Assírio & Alvim, 1976)

 

 

José Agostinho Baptista

 

postado pelo Casa dos Poetas às 09:10
Canção:: Coldplay - 42
Poesia e Alguns dos Poetas da Casa: , ,

2 recitais:
:)
van a 22 de Outubro de 2008 às 17:08

Não vou comentar o post.
Comento o blog.
São destes blogs onde poesia a sério que a blogsfera necessita.
Um abraço.
vieira calado a 23 de Outubro de 2008 às 22:06

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